Produtores de PE pressionam por LOA e ameaçam protestos
08-04-2026

Setor da cana cobra fertilizantes e avalia ação judicial

Andréia Vital

Produtores de cana-de-açúcar em Pernambuco intensificaram a pressão pela aprovação da Lei Orçamentária Anual (LOA) e pelo acesso a fertilizantes, considerados essenciais para a safra em curso. Em mobilização realizada na manhã de terça-feira (7), em frente à Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), representantes do setor foram impedidos de entrar na Casa, o que elevou o tom das reivindicações.

A manifestação foi organizada pela Associação dos Fornecedores de Cana de Pernambuco (AFCP) e pelo Sindicato dos Cultivadores de Cana de Pernambuco (Sindicape), que reuniram centenas de produtores. Após o bloqueio na Alepe, o grupo seguiu para a sede do governo estadual, onde foi recebido pelo chefe de Gabinete, Eduardo Vieira, acompanhado por deputados estaduais.

Durante o encontro, ficou definida a estratégia de judicialização para garantir a votação da LOA, independentemente do impasse político envolvendo parte dos parlamentares. As entidades também articulam um abaixo-assinado direcionado aos deputados estaduais, com o objetivo de explicitar o posicionamento de cada um em relação ao apoio ao setor canavieiro.

O principal ponto de tensão envolve a liberação de recursos que viabilizam a distribuição de fertilizantes. Segundo as entidades, o insumo precisa ser aplicado com urgência, especialmente diante do período chuvoso, considerado estratégico para o desenvolvimento da cana-de-açúcar.

A escalada do movimento inclui a possibilidade de novos protestos. “Se for necessário voltar à Alepe, voltaremos com tratores e caminhões”, afirmaram Alexandre Andrade Lima, presidente da AFCP, e Gerson Carneiro Leão, presidente do Sindicape.

Além da pressão no âmbito estadual, o setor pretende levar a demanda ao Ministério da Agricultura. A expectativa é obter apoio para a liberação emergencial de fertilizantes e também para medidas de subvenção econômica aos produtores do Nordeste.

As entidades argumentam que os canavieiros da região enfrentam perdas adicionais com os efeitos do tarifaço imposto pelos Estados Unidos sobre açúcar e etanol brasileiros, o que amplia a necessidade de políticas compensatórias.

Confira vídeos da mobilização: