Que fim levou a nova fase do Rota 2030?
20-12-2023
Programa de incentivos à inovação no setor automotivo passará a se chamar Mover -- Mobilidade Verde; lançamento é adiado desde agosto
Por Nayara Machado
Aguardado pela indústria automotiva para planejar os investimentos no Brasil, o lançamento da segunda fase do programa Rota 2030 segue sem data definida. A publicação da medida provisória que trará as regras de qualificação para receber os incentivos dedicados à inovação vem sendo adiada desde agosto.
No início do mês, a Anfavea (associação das montadoras) chegou a cobrar o governo, indicando a urgência da divulgação das regras até meados de dezembro.
A MP elaborada pelo Ministério da Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) está parada na Fazenda, que resiste à perspectiva de renúncia fiscal de até R$ 7 bilhões em cinco anos – período coberto pelo programa.
Segundo o MDIC, deve sair em breve, mas não tem data marcada.
“O ponto é que estamos vivendo um momento de previsão de déficit primário, e esse é um problema para o governo atual. A queda na arrecadação, o aumento dos impostos para tentar fazer essa conta fechar, o Rota entra na contra-mão. Esse é o único entrave, mas a gente acredita que vai ser superado”, comenta Francisco Tripodi Neto, sócio-diretor da Pieracciani, consultoria do setor automotivo.
Em entrevista à epbr, o executivo observa que, como o ciclo do Rota 2030 encerrou em dezembro, as montadoras já não receberam o benefício este mês, o que aumenta a pressão por uma definição ainda este ano.
“O governo está sendo pressionado, invariavelmente, por 20% do PIB”, comenta Tripodi.
Nesta terça (19/12) uma coalizão formada por Anfavea, Sindipeças, Fenabrave e outras organizações do setor esteve no MDIC, com o ministro e vice-presidente, Geraldo Alckmin (PSB).
O que esperar da MP?
Uma das alterações já divulgadas pelo governo é a mudança de nome. O Rota 2030 passará a se chamar Mover – Mobilidade Verde.
De acordo com Tripodi, a minuta mais recente da MP foi bem recebida pela indústria e traz algumas atualizações importantes para a sustentabilidade da produção de veículos no Brasil, além dos indicadores de segurança e eficiência – já presentes na última fase do programa.
Uma das novidades é o índice de reciclabilidade.
“Ele olha para tudo, a reciclabilidade do material utilizado nos volantes, nas portas, nos pneus, nas rodas. Todos os atributos, inclusive baterias [dos veículos elétricos]”.
Outra é o conceito do berço ao túmulo, que avalia a eficiência energética e ambiental de todo o processo de produção.
“O Mover olha vários atributos de eficiência, não somente a produção e o consumo de combustível. Ele olha o consumo de combustível durante toda a cadeia para produzir as peças. Do poço de petróleo ao túmulo, esse é o conceito utilizado”, conta o diretor da Pieracciani.
Além disso, ele afirma que a proposta da minuta está alinhada com padrões internacionais e que as fabricantes de veículos já fazem esse cálculo de quanto cada carro consome desde a produção até o fim da sua vida útil.
Fonte: EPBR

