Quebra na safra da Ásia faz açúcar subir quase 10%
03-10-2023
Clima adverso afetou oferta na Índia e Tailândia; colheita pressionou trigo em setembro
Por Paulo Santos — São Paulo
De um lado, aperto na oferta, de outro, abundância. No mês de setembro, o açúcar foi o destaque de alta no mercado internacional entre as commodities agrícolas e o trigo foi o produto que registrou a maior baixa, de acordo com levantamento do Valor Data.
A percepção de aperto na oferta global de açúcar na temporada 2023/24 impulsionou a alta na bolsa de Nova York. Já as cotações do trigo, na bolsa de Chicago, recuaram em função da pressão sazonal de colheita nos grandes produtores mundiais.
Os contratos de segunda posição do açúcar subiram 9,85% em setembro, e tiveram preço médio de 26,86 centavos de dólar por libra-peso. Boa parte da valorização se deveu aos problemas de oferta em dois dos principais exportadores mundiais, Índia e Tailândia.
Diante da redução no volume de chuvas em agosto na Índia, investidores precificaram a quebra na colheita 2023/24. As precipitações foram as menores em mais de 100 anos, segundo Marcelo Filho, analista de inteligência de mercado da StoneX.
“Além do clima, houve o rumor de que o governo indiano iria zerar as exportações. Isso levou os preços para cima porque a ausência das exportações do país, somada à menor produção e exportação na Tailândia, reforça ainda mais o papel do Brasil de cobrir essa oferta global do açúcar. Mas, sozinho, o Brasil pode não ser capaz de atender a demanda mundial”, afirmou.
A produção de açúcar na Índia pode atingir 30 milhões de toneladas em 2023/24, redução de 8,5% em relação à temporada anterior. Na Tailândia, a oferta deve diminuir 22%, para 8,9 milhões de toneladas, estima a StoneX.
A consultoria projeta um déficit global de 200 mil toneladas de açúcar em 2023/24, revertendo, portanto um superávit de 1,3 milhão estimados pela StoneX na temporada anterior.
Fonte: Globo Rural

