Queimadas em canaviais paulistas elevam preço do açúcar na bolsa: entenda o impacto no mercado e no consumidor
14-11-2024

Especialistas analisam o impacto das queimadas e da seca nos preços e na oferta de açúcar no mercado interno e externo

Os recentes incêndios que atingiram os canaviais de São Paulo resultaram em prejuízos estimados em R$ 350 milhões, segundo a Organização de Associações de Produtores de Cana do Brasil (ORPLANA). Apesar disso, analistas consultados apontam que o aumento nos preços de açúcar e etanol não deverá afetar significativamente o consumidor brasileiro. O impacto maior deverá ser sentido pelos importadores, uma vez que o consumo interno representa cerca de 25% da produção nacional de açúcar.

Na última segunda-feira (26), o açúcar bruto na bolsa de Nova York registrou alta de 3,5%, atingindo US$ 0,19 por libra-peso, um valor elevado para o mês. As queimadas impulsionaram os investidores a ajustar posições na commodity, levando a uma valorização dos contratos futuros. Na terça-feira (27), por volta das 14h20, os contratos futuros do açúcar bruto registraram nova alta de 2,36%.

Arnaldo Archer, diretor executivo da Archer Consulting, explica que o impacto das queimadas sobre a produção total do centro-sul é de apenas 0,7%, considerando a produção estimada de 605 milhões de toneladas para este ano. “A demanda interna representa uma fração pequena, e o consumo diário comercializado representa cerca de 7,5% dessa fração, o que minimiza o impacto no preço ao consumidor final”, afirmou Archer à CNN.

Medidas compensatórias para amenizar os danos nos canaviais podem gerar aumentos pontuais nos preços. André Braz, economista da Fundação Getulio Vargas (FGV), destaca que possíveis ajustes logísticos, ou o redirecionamento da oferta de áreas não afetadas para compensar perdas, poderiam elevar o custo de forma marginal. “Se houver necessidade de mitigar os impactos, talvez um leve ajuste no preço seja percebido, mas sem grande impacto no custo final ao consumidor”, explica Braz.

Além das queimadas, uma seca severa, considerada a mais intensa dos últimos 44 anos e que afeta 16 estados brasileiros, pode exercer uma pressão muito maior sobre a produção de cana-de-açúcar. Archer ressalta que a seca pode ter um impacto até 10 vezes mais significativo que as queimadas, com uma possível redução de 7% na disponibilidade de açúcar. “Se a seca continuar, há potencial de elevação nos preços para importadores e, eventualmente, também para o consumidor nacional”, pontua.

A seca está impactando diretamente os cinco maiores produtores de cana do Brasil – São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul e Paraná. Com uma diminuição da oferta no médio e longo prazo, o mercado interno poderá sentir um reflexo, caso as condições climáticas adversas persistam.

Com informações da CNN Brasil/Reuters