Raízen avalia recuperação extrajudicial e aporte de R$ 4 bilhões
05-03-2026
Alavancagem elevada leva empresa a discutir reestruturação financeira
Por Andréia Vital
A Raízen informou na noite desta quarta-feira (4), em fato relevante, que avalia a adoção de medidas para reforçar sua estrutura de capital, incluindo a possibilidade de recuperação extrajudicial. A iniciativa ocorre após a deterioração dos indicadores financeiros da companhia e envolve discussões com acionistas controladores e credores.
Entre as alternativas em análise está uma contribuição de capital de R$ 4 bilhões. Desse total, R$ 3,5 bilhões seriam aportados pelo Grupo Shell e R$ 500 milhões por um veículo controlado pela Aguassanta Investimentos, ligado à família de Rubens Ometto Silveira de Mello, acionista controlador da Cosan.
O plano também prevê a reestruturação do endividamento financeiro. A proposta pode incluir a conversão de parte da dívida em capital, combinada ao alongamento do saldo remanescente, além da continuidade da simplificação do portfólio de negócios com avaliação e venda de ativos não estratégicos.
Segundo a companhia, as medidas buscam criar um ambiente protegido para condução de negociações com credores financeiros e viabilizar uma solução consensual para a estrutura de capital. Nesse contexto, o acordo poderá ser formalizado por meio de recuperação extrajudicial, caso necessário.
A discussão ocorre após a piora dos resultados recentes. No terceiro trimestre da safra 2025/26, a Raízen registrou prejuízo líquido de R$ 15,6 bilhões, pressionado por um ajuste contábil de desvalorização de ativos de R$ 11,1 bilhões, sem efeito caixa. A receita líquida somou R$ 60,4 bilhões no período, queda de 9,7% na comparação anual, enquanto o EBITDA ajustado atingiu R$ 3,15 bilhões, recuo de 3,3%.
A companhia encerrou o trimestre com dívida líquida de R$ 55,3 bilhões, alta de 43% em um ano. Com isso, a alavancagem medida pela relação entre dívida líquida e EBITDA ajustado subiu para 5,3 vezes, ante 3,0 vezes no mesmo período da safra anterior.
A empresa afirmou que continuará operando normalmente e que as medidas em avaliação não devem afetar clientes, fornecedores, revendedores e parceiros comerciais. O comunicado foi assinado pelo CFO e diretor de relações com investidores da companhia, Lorival Nogueira Luz Jr., que reiterou o compromisso de manter acionistas e o mercado informados sobre eventuais desdobramentos relevantes.

