Raízen avança no mercado livre
25-05-2023
Ricardo Mussa: "O Brasil está desregulamentando o mercado livre, e a Raízen tem vantagem clara"
Foto: Divulgação
A Raízen Power, divisão recém lançada pela Raízen que consolida suas operações em geração, comercialização e serviços de energia, pretende avançar no mercado livre e chegar diretamente nos consumidores finais, sejam grandes e pequenas empresas, sejam consumidores residenciais. Em um ramo ainda pulverizado, a meta da companhia é alcançar 10% de participação de mercado.
A estratégia, revelada na quarta-feira (24) no Raízen Day, tem como pano de fundo o vencimento de diversos contratos da companhia no mercado regulado no passado, que devem deixar sem garantias a energia gerada em suas usinas de cana a partir do bagaço da planta. "Veio por uma necessidade", admite Ricardo Mussa, CEO da companhia, à imprensa.
No mercado B2C, a companhia já começa a dar seus primeiros passos. Na semana passada, o negócio começou a oferecer aos consumidores residenciais a possibilidade de contratarem energia de fonte solar através de um aplicativo com tarifa reduzida.
O serviço está à disposição por enquanto aos clientes da região da Cemig e da CPFL Paulista. Um piloto testado pela companhia com seus próprios funcionários já conseguiu, em uma semana, acertar 400 contratos residenciais e ter mais 800 interessados.
O objetivo da Raízen é alcançar 6 milhões de clientes residenciais, segundo o vicepresidente da Raízen Power, Frederico Saliba. O prazo para alcançar a meta não foi estabelecido, já que depende da desregulamentação do mercado de energia, disse. Uma das medidas aguardadas é o projeto de lei complementar 414/2021, que quer liberar ao consumidor a escolha de seu fornecedor. Segundo a Raízen, uma pesquisa própria indica que 80% dos consumidores querem poder escolher seus fornecedores de energia.
No mercado B2B, o plano é atender clientes de todos os portes, desde as grandes companhias, como Heineken e Volkswagen, que já são clientes, até pequenos comércios de bairro. Toda a energia oferecida é de origem renovável: biogás, biomassa, e de pequenas centrais hidrelétricas.
A Raízen Power hoje consolida não só a comercialização de energia, mas também as operações de carregadores para veículos elétricos, serviço de eficiência energética para clientes, como melhoria em sistemas de ar condicionado, e geração a partir de outras fontes além da biomassa da cana, como painéis solares. E Mussa não esconde sua área de preferência de atuação: a comercialização no mercado livre. "O Brasil está desregulamentando o mercado livre, e a Raízen tem uma vantagem competitiva clara", disse.
A ideia é converter consumidores que hoje atuam no mercado regulado para melhorar o desempenho. "Quando migra o consumidor do mercado regulado para o livre, tem um grande ganho de margem", disse Mussa. Hoje, o negócio de energia da Raízen já tem um múltiplo de valor maior do que a média de toda a companhia.
Já a geração de energia é vista cada vez mais como uma operação menos atrativa comercialmente. Tanto que a companhia já considera redirecionar o bagaço de cana, que hoje é queimado para gerar vapor para rodar suas usinas, para a produção de etanol celulósico, que pode ser exportado. No lugar do bagaço, Mussa considera eletrificar as indústrias, comprando energia no mercado para mantê-las operando.
Fonte: Valor Econômico

