Raízen prevê moer perto de 83 milhões de toneladas de cana
15-08-2024

Nova planta de etanol de segunda geração na Usina Bonfim entrou em operação no primeiro trimestre — Foto: Raízen / Divulgação
Nova planta de etanol de segunda geração na Usina Bonfim entrou em operação no primeiro trimestre — Foto: Raízen / Divulgação

O CEO Ricardo Mussa disse que a quebra na produtividade será menor do que a média do setor

Por Camila Souza Ramos — São Paulo

A moagem de cana-de-açúcar da Raízen nesta safra 2024/25 deve ficar mais próxima dos 83 milhões de toneladas, considerando a faixa de 82 milhões a 85 milhões de toneladas projetadas inicialmente para a temporada, disse nesta quarta-feira (14/8) Ricardo Mussa, CEO da companhia, em entrevista coletiva sobre os resultados do primeiro trimestre.

O executivo disse que a produtividade dos canaviais da companhia deve sofrer uma quebra ante a safra passada por causa da seca, mas que a redução deve ser menor do que a média do setor. “[Para nós], não são os mesmos números de 7% a 10% de quebra [do setor]. Vemos de 2% a 3% no máximo de redução”, afirmou. Ele ressaltou que em algumas regiões houve mais chuvas, o que deve compensar perdas onde houve menos, como na região de Assis (SP).

Sem morte súbita

A Raízen deve encerrar a moagem da cana entre outubro e novembro. “Será uma safra longa, temos bastante cana para moer, apesar de estarmos adiantados”, disse. No primeiro trimestre, a companhia processou 30,9 milhões de toneladas, alta de 15%, e com uma produtividade de 88 toneladas por hectare, queda de 0,8%.

Se a projeção se confirmar, o período de moagem da Raízen deverá ser mais longo que outras usinas. Alguns analistas acreditam que há empresas que terão que parar a moagem já em setembro por causa dos problemas de crescimento da cana provocados pela falta de chuvas.

Mussa detalhou que as lavouras que estão entre o primeiro e o quarto corte estão “melhores que a média do mercado”, se descontado o efeito do clima na produtividade. “Já o quinto e o sexto cortes continuam sendo o problema”, afirmou. Mas, como a quantidade de cana nessa faixa é menor, o impacto é limitado, explicou.

Segundo o CEO, a Raízen já fechou a diferença com o setor. “Agora estamos com o canavial como deveríamos estar”, disse.

Estoques e vendas de etanol

A perspectiva de um encurtamento da produção do setor no Centro-Sul faz a empresa apostar em uma alta dos preços do etanol. No primeiro trimestre, a Raízen segurou as vendas do produto à espera de uma alta.

“Tem a perspectiva de que [a moagem do Centro-Sul] termine antes e tenha menos produto disponível, o que pode fazer com que na entressafra os preços fiquem mais fortes”, observou. Ao mesmo tempo, o consumo de etanol hidratado “surpreendeu” e que já há bons preços “agora”, disse.

Quando exatamente deverá ser o melhor momento de venda, ainda é algo incerto. “É uma discussão que temos todos os dias. É difícil cravar, é muito dinâmico o movimento. Estamos vendo sinais positivos de preço”, disse o executivo. “É o dilema entre o ótimo e o bom”, resumiu.

O CEO explicou que a decisão de segurar as vendas de etanol - e também de açúcar próprio produzido no primeiro trimestre - acabaram fazendo com que o resultado operacional do período ficasse abaixo do esperado pelo mercado.

“A expectativa do mercado era [que nós já tivéssemos] comercializado. Mas é por uma boa razão. Hoje a produção está feita, é só comercializar. E a curva de [preços de] etanol mostra que a decisão foi acertada. Estamos vendo preços melhores agora no segundo trimestre, para o terceiro e o quarto trimestres”, afirmou.

Fonte: Globo Rural