Representantes do setor sucroenergético participam de debate para produção de livro
09-02-2024

Live setor sucroenergético - Foto: Reprodução/Youtube
Live setor sucroenergético - Foto: Reprodução/Youtube

O objetivo é reunir informações para a produção do livro "Cana de tudo: do açúcar ao infinito - A evolução do setor bioenergético"

Representantes de peso do setor sucroenergético do Brasil se reuniram nesta quarta-feira (7), em uma Live promovida pelo canal Cana Online, para debater temas relacionados ao segmento. O objetivo é reunir informações para a produção do livro "Cana de tudo: do açúcar ao infinito - A evolução do setor bioenergético".

Na live, mediada por Luciana Paiva, editora do Cana Online, os produtores e especialistas destacaram os desafios futuros e a evolução nas últimas décadas do setor em relação às tecnologias desenvolvidas, desde os maquinários para aumentar a produção, as variedades de cana-de-açúcar, além de questões envolvendo dificuldades para mão de obra e a necessidade de mais apoio dos governos para alavancar ainda mais o segmento.

Também pontuaram as dificuldades que ainda enfrentam com políticas públicas que contribuam para o crescimento do segmento sucroenergético no País. Em sua explanação, o presidente do grupo EQMEduardo de Queiroz Monteiro, que na ocasião representou o Nordeste, lembrou das dificuldades pós-crise que afetaram o setor, e reforçou ter uma visão otimista, pontuando que mesmo com todas as adversidades, o Brasil é maior que o abismo e que sempre haverá de se encontrar as portas de saída.

“No Nordeste, tivemos que sobreviver e nos adequar a essa realidade e acho que o setor passou por um processo fortíssimo. Pernambuco chegou a ter 70 usinas de cana de açúcar e hoje temos 45 usinas no norte-nordeste. Eu diria que a resiliência, o ambiente de superação e dificuldades, permitiram que o setor se afirmasse ainda mais. Hoje, somos 45 unidades industriais, produzindo 60 milhões de toneladas de cana, num País que produz 700 milhões de toneladas de cana. É um setor que enfrenta desafios grandes porque ainda temos que conviver com as encostas, principalmente na região Sul do Estado e no norte de Alagoas, mas eu considero que com os grandes desafios que enfrentamos, temos condições competitivas particulares”, disse Monteiro. 

O presidente do Grupo EQM lembrou que, por aqui, as plantas industriais têm grandes vantagens, já que estão próximas dos principais portos. “Apesar das adversidades, o nosso ambiente é promissor. Nossas plantas estão perto dos portos de Suape e do Recife, nossas usinas são próximas e tem um potencial para exportação, do ponto de vista logístico. Além disso, a nossa cana manual emprega mais gente, é mais mão de obra, é mais ônibus, é mais NR 31, mais material de proteção. Somos extremamente competitivos. O mercado interno vem andando de lado às circunstâncias, mas eu diria que se os governos atrapalharem menos e permitindo que a gente vá se afirmando, vamos viver melhor”.

Na Live, o presidente da Datagro Consultoria, Plínio Nastari, reforçou a importância do setor no cenário internacional, lembrando que a Datagro, junto com outros gigantes brasileiros do setor, teve um papel fundamental na consolidação do mercado de etanol nos Estados Unidos.

“Por conta do Proálcool, em 1978, o Brasil já tinha uma adição de 20% do etanol na gasolina. Foi a partir do exemplo, que o governo dos Estados Unidos decidiu autorizar a misturar de etanol na gasolina, na proporção de 10%. Mas eles não tinham histórico de contribuição para o etanol para reduzir a poluição atmosférica e ajudamos muito através da transferência de conhecimento e tecnologia. Ajudamos a desenvolver o setor norte-americano, durante a década de 80 e início dos anos 90, essa contribuição ajudou muito”, contou Nastari.

O presidente da Datagro lembrou que em 1984, o Brasil exportou cerca de 900 milhões de litros para os Estados Unidos e isso incomodou, um pouco, os produtores americanos, que pediram abertura de uma ação de direitos compensatórios. A Datagro foi contratada, em 1985, pelo setor sucroenergético brasileiro para a ajudar na coordenação da defesa dessas ações.

"E conseguimos mostrar que a exportação brasileira de etanol aos EUA não foi danosa como se imaginava. Mostramos, tecnicamente, que o dano causado pelos embarques de álcool do Brasil aos EUA teve um efeito mínimo. Conseguimos mostrar que eles tiveram efeito, em 1994, de 2,3% apenas no preço do etanol exportado para os EUA. Foi um momento importante para a integração da indústria de etanol do Brasil e dos Estados Unidos”. 

Durante a Live, representantes do setor sucroenergético atribuíram à evolução do setor à evolução das pesquisas em torno das variedades da cana de açúcar, que foi uma revolução para o melhoramento genético e resistência às adversidades do clima. “Quando comecei atuando no setor, as variedades eram importadas e hoje, há muito tempo, todas as variedades são desenvolvidas no Brasil, o que demonstra a força da capacidade de evolução em tecnologia e equipamentos”, disse Maurilio Biagi Filho, presidente da Maubisa. 

Em sua fala durante a Live, sobre sua análise em relação à evolução do setor, o diretor da Consultoria Canaplan, Caio Carvalho, disse que a grande evolução foi a saída do processo em que o estado intervia em tudo para uma desregulamentação complexa. ” Tivemos aumento não só de ofertas de produtos, mas uma diversificação, caracterizando a resiliência sobre as fases difíceis que passamos em governos complexos. Às vezes acho até irresponsáveis alguns momentos que passamos. Nos anos 2000, passamos a conviver com muita volatilidade e a melhoria foi muito sensível. Acredito que estamos vivendo em um momento extraordinário, mas de novo, temos uma dificuldade com o governo. Sempre vamos ter que aceitar isso. Muitos companheiros ficaram no caminho. Muitos deles por conta de uma atuação irresponsável de governo, que a gente espera que atrapalhe menos daqui pra frente”.

Fonte: Folha de Pernambuco