Safra 2024/2025: Adaptação e resiliência frente à escassez hídrica
06-08-2024

Foto: Arquivo CanaOnline
Foto: Arquivo CanaOnline

O índice pluviométrico de abril a julho de 2023 foi de 164,7 mm, caindo para 107,5 mm no mesmo período em 2024

*Eduardo Padovan

Dizer que a safra 2023/2024 foi excelente em termos de produtividade e moagem é “chover no molhado”. O clima foi extremamente favorável para o setor sucroenergético. No entanto, a safra atual não teve a mesma sorte. A precipitação na entressafra foi menor do que esperávamos, resultando em uma queda de 5,5% nas toneladas de cana por hectare (TCH) até a primeira quinzena de julho, afetando principalmente Mato Grosso do Sul, norte do Paraná, e as regiões centro-oeste e noroeste paulista, essa porcentagem só não é maior porque algumas regiões de Minas Gerais e de Goiás não foram impactadas pela falta de precipitação.

Além disso, a escassez de chuvas na entressafra de 2024 contribuiu para um aumento quase três vezes maior nos focos de incêndio em comparação com o primeiro semestre de 2023. Isso também impactou negativamente a produtividade e a qualidade da cana-de-açúcar, com as toneladas de açúcar por hectare (TAH) caindo de 12,3 em 2023 para 11,6 em 2024.

Por outro lado, o clima seco aumentou a disponibilidade agroindustrial, calculada pelas paradas de moagem devido ao clima, falta de matéria-prima ou problemas industriais. Até a primeira quinzena de julho de 2023, essa disponibilidade era de 84,4%, mas chegou a 91,4% no mesmo período de 2024. Isso resultou em uma maior eficiência na colheita, pois as máquinas puderam operar mais no campo devido à ausência de paradas climáticas. O índice pluviométrico de abril a julho de 2023 foi de 164,7 mm, caindo para 107,5 mm no mesmo período em 2024.

Os resultados apresentados confirmam que a safra 2024/2025 começou ressequida, ansiosa pela água que não veio. Com a provável chegada de La Niña, a tendência é que haja maior variação térmica, com tempo menos úmido e chuvas mais irregulares. Isso exigirá um planejamento assertivo para mitigar os impactos negativos, implementando sistemas de irrigação, práticas de manejo de solo para reter a umidade e investimentos em adubação e fertilização para compensar o estresse hídrico.

*Eduardo Padovan

Analista de Custos do Pecege Consultoria e Projetos