Safra 2026/27 deve ampliar oferta de açúcar e pressionar etanol no Centro-Sul
18-02-2026
Moagem de cana-de-açúcar pode atingir até 625 milhões de toneladas
Por Andréia Vital
As perspectivas para 2026 divulgadas nas Agromensais de janeiro de 2026 do Cepea, da Esalq USP, indicam cenário de oferta mais ampla para o mercado de açúcar e etanol na safra 2026/27. No Centro-Sul, a moagem de cana-de-açúcar é estimada entre 620 milhões e 625 milhões de toneladas, sustentada pela recuperação das chuvas no fim de 2025, leve expansão de área e clima mais próximo da média histórica.
No mercado internacional, as projeções apontam superávit global entre 1,6 milhão e 10,5 milhões de toneladas. A International Sugar Organization (ISO) calcula excedente de 1,625 milhão de toneladas na safra 2025/26, reforçando a percepção de estoques mais confortáveis entre os principais exportadores.
Diante desse quadro, a definição do mix no Brasil tende a ser decisiva. A StoneX projeta que 50,6% da cana-de-açúcar seja destinada à produção de açúcar em 2026/27, o que pode resultar em volume próximo de 41,5 milhões de toneladas, um dos maiores da série histórica. A alocação da matéria-prima dependerá da relação de preços com o etanol e da dinâmica do mercado doméstico, em um contexto de mistura obrigatória de 30% de anidro na gasolina.
Na bolsa de Nova York, o açúcar bruto pode oscilar entre 15 e 20 centavos de dólar por libra-peso, refletindo maior disponibilidade global e concorrência entre Brasil, Índia e Tailândia. O consumo mundial deve crescer cerca de 1,2% ao ano, puxado por economias emergentes da Ásia e da África.
As análises do Cepea indicam que o mercado de etanol pode enfrentar menor sustentação de preços ao longo de 2026/27, diante da ampliação da oferta. Além da moagem elevada no Centro-Sul, a produção de etanol de milho segue em expansão. A safra 2025/26 já apresentou crescimento frente ao ciclo anterior, e a participação do milho no total produzido deve continuar aumentando, com investimentos em novas plantas e ampliações.
O petróleo permanece como variável central. Após superar US$ 100 por barril em 2022, as cotações recuaram para a faixa de US$ 60 a US$ 65 em 2025. A Organização dos Países Exportadores de Petróleo projeta equilíbrio entre oferta e demanda em 2026, enquanto a Agência Internacional de Energia estima superávit global de 3,84 milhões de barris por dia. Caso a gasolina acompanhe um movimento de baixa, a competitividade do hidratado pode ser reduzida.
No Nordeste, a safra 2025/26 deve alcançar 56,3 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, alta de 3,6%, com produtividade média de 61.502 quilos por hectare, avanço de 1,5%, segundo a Conab. A mecanização regional deve atingir 27% da colheita.
Em janeiro de 2026, a menor disponibilidade de produto em Pernambuco, Paraíba e Alagoas sustentou as cotações do etanol. Em Pernambuco, o hidratado avançou 10,04%, para R$ 3,0005 por litro, e o anidro 12,44%, para R$ 3,7617, sem ICMS, PIS e Cofins. Na Paraíba, o hidratado atingiu R$ 3,0183, alta de 11,65%, e o anidro R$ 3,7147, avanço de 11,48%. Em Alagoas, o hidratado foi cotado a R$ 3,1481, elevação de 10,24%, e o anidro a R$ 3,7572, alta de 10,61%, considerando vendas na modalidade spot.
O conjunto de variáveis climáticas, energéticas e internacionais indica que a safra 2026/27 exigirá gestão cuidadosa do mix e acompanhamento constante das condições de mercado.

