Safra 2026/27 deve atingir cerca 630 mi t e pressionar preços
20-04-2026

Mix alcooleiro avança e ATR recua no início do ciclo

Andréia Vital

O Pecege prevê uma moagem em torno de 630 milhões de toneladas na safra 2026/27 de cana-de-açúcar no Centro-Sul, com avanço em relação ao ciclo anterior e possibilidade de revisão para cima ao longo da safra. A projeção foi apresentada por João Rosa Botão, consultor e sócio-diretor da consultoria, durante o painel “Panorama da Produção de Cana Escala, Produção e Origem”, no Cana Summit, realizado nos dias 15 e 16 de abril, em Ribeirão Preto – SP.

Ao comentar a projeção, Botão afirmou que a safra será maior do que no ano passado, porém os dados iniciais podem estar subestimados diante das informações mais recentes da lavoura. “Eu acho que nós vamos errar. A gente roda pelas regiões, começamos a receber algumas informações das empresas que estão aí já iniciando o processamento e os números, felizmente, mostram que tem muita cana no campo”, afirmou.

O cenário também indica mudança na destinação da matéria-prima, com maior direcionamento para o etanol em relação às safras anteriores, refletindo condições de mercado e competitividade do biocombustível. A participação do etanol é estimada em 51,63%, enquanto o açúcar deve recuar para 48,37%. Com isso, a produção de açúcar deve alcançar 40,3 milhões de toneladas, enquanto o volume total de etanol é projetado em 37,03 bilhões de litros.

Além da cana-de-açúcar, a oferta de biocombustíveis também deve ser ampliada pelo etanol de milho, cuja produção está estimada em 10,53 bilhões de litros na safra 2026/27, com crescimento de 15,22%, ampliando a concorrência no mercado interno. No início da safra, levantamentos até sábado (5) já indicam um perfil mais alcooleiro, com o mix de etanol atingindo 70,89% nas primeiras semanas do ciclo.

Ao mesmo tempo, o ATR apresenta níveis abaixo do registrado na última safra, influenciado pelo regime de chuvas no início do ciclo. O clima favorece o volume de cana, mas reduz a concentração de açúcares por tonelada, impactando diretamente a remuneração do produtor.

No campo de preços, a expectativa para o indicador do Consecana-SP na safra 2026/27 gira entre R$ 1,00 e R$ 1,05 por quilo de ATR, com cenários mais otimistas chegando a R$ 1,12 ou R$ 1,13. A formação desses valores considera diferentes premissas de mercado, incluindo a paridade com combustíveis.

Em um cenário com gasolina a R$ 6,54 por litro e paridade do etanol em 65%, o hidratado seria equivalente a R$ 4,28 na bomba e cerca de R$ 2,71 no preço ao produtor, sustentando projeção próxima de R$ 1,03 no Consecana. Já em um ambiente de paridade internacional, com gasolina estimada em R$ 7,50, o etanol poderia alcançar R$ 4,99, elevando o valor ao produtor para cerca de R$ 3,50 e impulsionando o indicador para até R$ 1,12.

A formação de preços segue condicionada a variáveis como política de combustíveis, mercado internacional e oferta global de açúcar, que recentemente foi negociado próximo de 13,54 centavos de dólar por libra-peso.

Os custos de produção seguem pressionados, com destaque para o diesel. Em média, são consumidos de 3 a 4 litros por tonelada de cana, ou cerca de 250 litros por hectare. A cada aumento de R$ 1 por litro, o custo sobe aproximadamente R$ 250 por hectare.