Safra 2026/27 do Centro-Sul deve alcançar 635 milhões de toneladas
12-03-2026

Produção de etanol cresce e açúcar fica estável aponta DATAGRO

Andréia Vital

A safra 2026/27 no Centro-Sul do Brasil deverá atingir 635 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, avanço de 4% em relação ao ciclo anterior, segundo estimativa da DATAGRO. A produção de açúcar tende a ficar praticamente estável em 40,70 milhões de toneladas, enquanto o etanol total pode crescer 13,4% e alcançar 38,42 bilhões de litros.

As projeções foram apresentadas por Plinio Nastari durante a DATAGRO Abertura de Safra Cana Açúcar e Etanol, que começou na quarta-feira (11) e termina nesta quinta-feira (12), em Ribeirão Preto - SP.

Segundo a consultoria, a oferta de ATR deverá atingir 88,07 milhões de toneladas, avanço de 4,5%, com rendimento industrial médio estimado em 138,7 kg por tonelada de cana. Mesmo com o aumento da moagem, o direcionamento da matéria-prima para açúcar tende a recuar. O mix açucareiro deve cair para 48,5%, redução de 2,2 pontos percentuais em relação à safra anterior.

Para a safra 2025/26, que se encerra neste mês, a DATAGRO projeta moagem de 610,5 milhões de toneladas de cana no Centro-Sul, queda de 1,8% frente ao ciclo 2024/25. O ATR médio é estimado em 138,11 kg por tonelada, enquanto a oferta total de ATR deve alcançar 84,32 milhões de toneladas.

Mesmo com a menor moagem, o mix de produção de açúcar permaneceu elevado ao longo da temporada, com média de 50,7%, avanço de 2,7 pontos percentuais na comparação anual. A produção de açúcar é estimada em 40,77 milhões de toneladas, alta de 1,5%. Já o etanol total deve somar 33,89 bilhões de litros, recuo de 3,1%.

Dentro do biocombustível, a produção de etanol anidro deve alcançar 13,21 bilhões de litros, aumento de 6,8%, enquanto o hidratado tende a cair 8,4%, para 20,68 bilhões de litros. O etanol de milho segue em expansão e reforça o crescimento da oferta total do biocombustível no país.

Dados apresentados pela DATAGRO indicam que a produção total de ATR, considerando cana e milho, saiu de 7,1 milhões de toneladas em 1975/76 para cerca de 108,7 milhões de toneladas em 2025/26 e pode alcançar 149,2 milhões de toneladas em 2034/35. O avanço reflete ganhos de produtividade e a ampliação da participação do etanol de milho na matriz energética.

No mercado interno, o consumo de combustíveis do ciclo Otto também deve seguir em expansão. As estimativas indicam aumento equivalente a 2,3 bilhões de litros de etanol hidratado em 2026. A consultoria destaca que o etanol continua exercendo papel relevante na matriz de combustíveis do país. Em 2025, o Brasil substituiu 45,6% do consumo potencial de gasolina por etanol.

Segundo Nastari, a competitividade do biocombustível no mercado doméstico tem sustentado o crescimento da demanda. A DATAGRO aponta que o consumo de hidratado deve voltar a crescer nos próximos anos, acompanhando a expansão da frota flex fuel.

No cenário internacional, a consultoria projeta déficit no balanço global de oferta e demanda de açúcar de cerca de 800 mil toneladas no ano comercial 2025/26. O mercado segue atento à produção de países como Índia e Tailândia, além do desempenho da safra brasileira, considerada o principal fundamento do mercado mundial.

Apesar do aumento da produção nos últimos anos, a DATAGRO avalia que o Brasil não tem sido responsável por um excesso de oferta global. Nos últimos três anos, a produção brasileira de açúcar manteve-se relativamente estável em torno de 43,8 milhões de toneladas.

Ao mesmo tempo, a produção de etanol cresceu cerca de 10 bilhões de litros nos últimos cinco anos, volume que foi absorvido integralmente pelo mercado interno. O país também lidera globalmente a substituição de gasolina por etanol, movimento que ainda apresenta potencial de expansão tanto no consumo doméstico quanto nas exportações de biocombustíveis.