São Paulo institui plano contra caruru gigante após foco
23-02-2026
Estado reforça vigilância e alerta produtores de cana-de-açúcar
Por Andréia Vital
O Governo de São Paulo instituiu o Plano Estadual de Prevenção, Controle e Erradicação do caruru gigante após a confirmação de foco da planta daninha em 3 de fevereiro de 2026, em uma propriedade rural de Mirassol, na região de São José do Rio Preto. A medida foi formalizada pela Resolução nº 7 de 2026.
Identificado como Amaranthus palmeri, o caruru gigante é uma espécie exótica de crescimento acelerado, elevada agressividade e resistência a herbicidas. Cada planta pode produzir entre 200 mil e 500 mil sementes, conforme as condições ambientais, o que amplia o potencial de disseminação.
Após a detecção, a Defesa Agropecuária interditou a área, eliminou as plantas identificadas e iniciou monitoramento ampliado na região. O plano estabelece vigilância fitossanitária contínua, fiscalização, rastreabilidade, interdição de áreas infestadas, controle do trânsito de máquinas e adoção de manejo integrado com medidas químicas, mecânicas e culturais.
Impacto econômico e risco para sistemas integrados
Soja, milho e algodão estão entre as culturas mais sensíveis à infestação. Juntas, representam cerca de R$ 13 bilhões do Valor da Produção Agropecuária paulista, sendo aproximadamente R$ 8,9 bilhões da soja, mais de R$ 4 bilhões do milho e R$ 181 milhões do algodão.
O alerta também se estende à cana-de-açúcar, principalmente em áreas de reforma de canavial, bordaduras ou sistemas com rotação e integração com grãos. A resistência da planta a herbicidas pode elevar custos de manejo e exigir ajustes nas estratégias adotadas pelos produtores.
De acordo com Alexandre Paloschi, diretor do Departamento de Defesa Sanitária Vegetal, as ações incluem vigilância ativa e passiva, eliminação imediata de focos e reforço no controle de equipamentos agrícolas, considerados vetores relevantes de dispersão.
O Estado prevê ainda ampliação do monitoramento regional, capacitação técnica de equipes e publicação de protocolos operacionais específicos. A recomendação é que qualquer suspeita seja comunicada às unidades regionais da Defesa Agropecuária para adoção imediata das medidas previstas.

