Seguro rural recua em 2025 e amplia debate no agro
24-03-2026
Queda na arrecadação expõe riscos e pressiona financiamento
Andréia Vital
O mercado de seguro rural registrou retração em 2025, interrompendo um ciclo de expansão observado nos anos anteriores e reforçando o debate sobre os mecanismos de proteção financeira no agronegócio brasileiro.
Dados da Confederação Nacional das Seguradoras mostram que a arrecadação caiu 8,8% no último ano, passando de R$ 14,2 bilhões em 2024 para R$ 12,9 bilhões em 2025. O recuo ocorre em um contexto de redução de recursos destinados à subvenção ao prêmio e de maior cautela dos produtores diante do aumento no custo das apólices.
A queda contrasta com o crescimento observado entre 2021 e 2024, quando o volume arrecadado avançou de R$ 9,6 bilhões para R$ 14,2 bilhões. A mudança de trajetória indica desaceleração na contratação e levanta preocupações sobre a exposição do setor a riscos climáticos e produtivos.
A combinação entre menor arrecadação e estabilidade das indenizações sugere que parte dos produtores pode estar operando com menor nível de proteção, justamente em um cenário de maior frequência de eventos climáticos extremos. Esse movimento amplia a vulnerabilidade financeira das cadeias produtivas e reforça a necessidade de instrumentos mais robustos de gestão de risco.
O tema será discutido no encontro Diálogo Setorial Seguros Crédito e Agronegócio Proteção rural e novos instrumentos de financiamento, marcado para 8 de abril, em Brasília. O evento reúne especialistas para avaliar alternativas de financiamento e estratégias para ampliar a cobertura securitária no país.
O primeiro painel tratará de novos instrumentos de financiamento, com foco na diversificação das fontes de recursos para o agro, incluindo mercado de capitais e estruturas voltadas à inovação e sustentabilidade. Já o segundo debate abordará os desafios estruturais do seguro rural, com ênfase no uso de tecnologia e análise de dados para aprimorar o monitoramento de riscos e ampliar a resiliência climática.
Especialistas avaliam que a integração entre crédito, seguro e resseguro será decisiva para sustentar o crescimento do agronegócio. Em um setor exposto a oscilações climáticas, preços e custos logísticos, o fortalecimento dessas ferramentas tende a garantir maior previsibilidade de renda e ampliar a capacidade de investimento no campo.

