Setor de biodiesel apresenta manifesto na COP30 e defende expansão acelerada da produção no país
25-11-2025

Documento entregue em Belém reforça impacto econômico e ambiental do biocombustível

Por Andréia Vital

O setor brasileiro de biodiesel levou à COP30, realizada em Belém, um manifesto conjunto em defesa da expansão do biocombustível como eixo estratégico da transição energética do país. O documento, apresentado por associações representativas do segmento, sustenta que o biodiesel reúne as condições mais imediatas, viáveis e de maior impacto para descarbonizar o transporte de cargas e passageiros em todos os modais, rodoviário, ferroviário e naval, ao mesmo tempo em que impulsiona emprego, renda e segurança alimentar.

No texto, o setor lembra que o Brasil completou 20 anos de produção contínua de biodiesel e que atualmente conta com 58 usinas distribuídas em 14 estados, somando capacidade autorizada pela ANP de 15,6 bilhões de litros por ano, suficiente para suprir uma mistura de até 22% no diesel consumido no país. A consolidação do parque industrial permitiu que o país reduzisse a dependência externa: com a mistura vigente de B15, a economia anual na balança comercial chega a US$ 470 milhões, graças à redução de 674 milhões de litros de diesel importado.

O manifesto, assinado pela ABIOVE – Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais, APROBIO -. Associação dos Produtores de Biocombustíveis do Brasil e UBRABIO – União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene, destaca ainda o impacto econômico e social da cadeia: 300 mil agricultores familiares participam do fornecimento de matérias-primas, movimentando R$ 9 bilhões por ano. Cada real investido em biodiesel, segundo o setor, retorna R$ 4,40 para a economia, enquanto o PIB da cadeia soja–biodiesel cresceu cinco vezes mais que a média nacional.

Do ponto de vista ambiental, o setor reforça dados considerados essenciais no contexto da COP30: o uso de biodiesel reduz em até 94% as emissões de gases de efeito estufa e já evitou a liberação de 127 milhões de toneladas de CO₂ equivalente, o equivalente ao plantio simbólico de 930 milhões de árvores.

O manifesto também estabelece uma conexão direta entre expansão do biodiesel e aumento da oferta de alimentos. Como 75% da matéria-prima utilizada é óleo de soja, o esmagamento do grão gera farelo, principal insumo da ração animal, reduzindo custos no setor de proteínas. Em 2023, segundo as entidades, essa dinâmica gerou R$ 3,5 bilhões em economia na produção de carnes, contribuindo para preços mais baixos ao consumidor e menor pressão inflacionária.

O setor defende a continuidade de marcos como o programa Combustível do Futuro, que amplia previsibilidade e segurança jurídica para investimentos, e reforça a necessidade de estimular novas matérias-primas, assegurar rigor nos sistemas de qualidade e combater desinformação sobre o biocombustível.

As associações também enfatizam que o crescimento da produção deve seguir rigorosamente as normas ambientais e a Política Nacional de Biocombustíveis (RenovaBio), inclusive por meio da certificação CBIO, que garante padrões de sustentabilidade na operação.

Ao inserir o biodiesel no centro do debate climático da COP30, o setor pretende reforçar a posição brasileira como liderança mundial em energia sustentável. No documento, as entidades afirmam que o país reúne “uma solução pronta, de baixo custo de transição e maior impacto ambiental”, capaz de oferecer ganhos imediatos na redução de emissões e benefícios socioeconômicos amplos.

O manifesto encerra com um apelo para que o Brasil siga fortalecendo políticas de incentivo e assegure expansão contínua da oferta. “O biodiesel brasileiro é a força que transforma o presente e garante o futuro”, afirmam as associações signatárias.