Setor sucroenergético fortalece posição financeira, aponta Rabobank
17-06-2026

Análise apresentada na Canaplan destacou crédito e rentabilidade

Andréia Vital

O setor sucroenergético iniciou a safra 2026/27 em uma posição financeira mais sólida do que a observada em ciclos anteriores, sustentado pela recuperação da rentabilidade, redução do endividamento e maior acesso ao mercado de capitais. A avaliação foi apresentada por Andy Duff, do Rabobank Brasil, durante a 1ª Reunião Canaplan 2026, realizada em Ribeirão Preto – SP, em 23 de abril.

Na análise exibida durante o encontro, os indicadores econômicos da safra se encontravam acima das médias históricas quando ajustados pela inflação. Os gráficos apresentados mostravam que os preços do açúcar negociado em Nova York e do etanol hidratado no mercado interno permaneciam em faixas consideradas favoráveis na comparação com grande parte dos últimos 15 anos.

Com base nos dados disponíveis à época, o Rabobank avaliava que a combinação entre melhor remuneração da matéria-prima e recuperação da rentabilidade vinha sustentando uma geração de caixa mais robusta para as empresas do setor. As projeções apresentadas indicavam que, mesmo diante da expectativa de menor moagem no Centro-Sul em relação aos recordes recentes, as receitas poderiam permanecer em níveis historicamente elevados na safra 2026/27.

As estimativas também apontavam uma evolução favorável dos resultados operacionais. Os gráficos exibidos mostravam crescimento da receita setorial ao longo dos últimos anos, acompanhado por melhora dos indicadores de resultado, em um cenário de custos que, embora mais elevados do que na década passada, permaneciam compatíveis com a capacidade de geração de caixa das empresas.

Outro ponto destacado na apresentação foi a mudança na estrutura financeira do setor. Segundo os dados compilados pelo banco, a dívida líquida das usinas apresentou trajetória de redução em relação aos níveis observados em meados da década passada. Ao mesmo tempo, houve diminuição da participação das dívidas de curto prazo na composição total do endividamento, fator considerado positivo para a gestão financeira das companhias.

A análise indicava ainda que a desalavancagem ocorreu mesmo em um ambiente de juros elevados, favorecida pelos resultados operacionais obtidos nas últimas safras. Esse movimento ampliou a capacidade de investimento das empresas e reduziu parte da pressão financeira que marcou períodos anteriores do setor.

Os dados apresentados pelo Rabobank também mostravam aumento dos investimentos destinados à renovação de canaviais, tratos culturais e manutenção agrícola. Na amostra acompanhada pela instituição, os desembolsos cresceram de forma consistente entre as safras 2019/20 e 2024/25, refletindo a busca por ganhos de produtividade e maior eficiência operacional.

No mercado financeiro, a apresentação destacou o avanço dos instrumentos de captação voltados ao agronegócio. As emissões de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) para empresas ligadas aos segmentos de açúcar e etanol alcançaram R$ 6,1 bilhões em 2024 e R$ 5,7 bilhões em 2025, segundo dados da ANBIMA e da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) apresentados durante o evento.

As debêntures também mantiveram participação relevante na estratégia de financiamento das companhias. Os números mostrados pelo Rabobank indicavam emissões superiores a R$ 8 bilhões em 2024 e próximas de R$ 8 bilhões em 2025, evidenciando a continuidade do interesse dos investidores pelo setor sucroenergético.

Entre os indicadores estruturais acompanhados pelo banco, a idade média dos canaviais do Centro-Sul apresentava recuperação na safra 2025/26. Os dados mostrados durante a reunião também indicavam crescimento dos investimentos em renovação de áreas, tratos culturais e manutenção, movimento que, segundo a análise, tende a influenciar o potencial produtivo das próximas safras.