Simplicidade e padronização sustentam eficiência da ACP Bioenergia no campo
05-01-2026
Gestão enxuta e processos replicáveis orientam manutenção de ativos agrícolas em seis estados, afirma diretor no IX Seminário GMEC em Ribeirão Preto
Por Andréia Vital
A manutenção eficiente de grandes operações agrícolas em escala nacional exige estratégia, simplicidade e forte padronização de processos. Essa foi a principal mensagem da palestra “Estratégia, eficiência e território: o desafio da manutenção do agronegócio em escala nacional”, apresentada por Rafael Martin de Oliveira durante o IX Seminário GMEC, realizado no final de novembro, em Ribeirão Preto, no interior paulista.
Segundo o executivo da ACP Bioenergia, a complexidade da operação agrícola impõe riscos elevados quando não há previsibilidade e controle. A empresa administra mais de 1.500 equipamentos e atua como operadora agrícola, com presença em seis estados, o que exige modelos de manutenção capazes de garantir disponibilidade sem elevar o custo operacional. “Nossa estratégia é fazer mais com menos, mas isso só é possível quando se busca eficiência com processos simples, replicáveis e monitoráveis”, afirmou.
Oliveira explicou que a cultura da empresa se apoia em quatro pilares ligados a princípios, comportamentos e itens inegociáveis, construídos desde a década de 1990. A base dessa cultura está na simplicidade, no foco em pessoas e na padronização das rotinas. Para ele, a excelência operacional depende menos de estruturas complexas e mais da clareza de regras e da disciplina na execução. “Simplicidade não é falta de método, é o que permite escalar o negócio com previsibilidade de custo”, disse.
Na avaliação do diretor, operar grandes áreas agrícolas com diferentes realidades regionais amplia o desafio da manutenção. A ACP administra ativos em regiões como Tocantins, Goiás e Mato Grosso do Sul, com variações significativas de clima, carga de trabalho e horas anuais de operação das máquinas. Enquanto colhedoras de grãos operam por poucos meses ao ano, equipamentos da cana chegam a trabalhar mais de 3.500 horas anuais, em regime contínuo e com alta carga do motor. “Não dá para tratar ativos tão distintos com a mesma lógica de manutenção sem perder eficiência”, afirmou.
Para enfrentar esse cenário, a empresa adotou uma estrutura de manutenção enxuta, com programação centralizada em Ribeirão Preto e forte automação dos processos. A estratégia reduziu a necessidade de equipes locais numerosas e concentrou o esforço em capacitação, comunicação e gestão. Segundo Oliveira, a programação preventiva é simples e padronizada, com ciclos definidos e pouca margem para exceções, o que facilita o controle e reduz o risco de falhas.
Um dos exemplos apresentados foi o modelo de manutenção preventiva baseado em janelas fixas, com inspeções a cada 14 dias. Esse intervalo, segundo o diretor, permite identificar tendências de desgaste antes que se transformem em falhas críticas. “O plano por si só não garante disponibilidade. O que garante é identificar a tendência, observar desgaste de componentes, mangueiras, chapas e agir antes da quebra”, explicou.
A ACP também adotou a manutenção baseada em condição para reduzir custos, especialmente em itens sensíveis como troca de óleo. Em vez de seguir um modelo rígido, a empresa trabalha com faixas de variação controladas, permitindo ajustes conforme a realidade operacional de cada região. “A gente abriu um leque de horas aceitáveis. O analista local decide dentro desse intervalo, o que evita paradas desnecessárias e perda financeira”, afirmou.
De acordo com Oliveira, esse modelo possibilitou manter uma estrutura de Planejamento e Controle da Manutenção enxuta, sem comprometer a confiabilidade dos ativos. Em um dos polos citados, a empresa executou mais de 2 mil intervenções de manutenção sob condição em um único ciclo, com foco nas ações críticas identificadas nas inspeções quinzenais. “Se eu paro a cada 14 dias para olhar a máquina, eu não preciso fazer preventiva máxima. Eu faço o que realmente precisa ser feito”, disse.
Ao final da apresentação, o diretor reforçou que a competitividade da operação agrícola está diretamente ligada ao controle de custos e à disponibilidade dos equipamentos. Para ele, a manutenção deixou de ser apenas uma função operacional e passou a ocupar papel estratégico na sustentação do negócio. “Se não formos competitivos em custo, perdemos espaço no mercado. Cada linha do processo importa”, concluiu.
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