Sindicom entrega aos presidenciáveis agenda com propostas para o setor de combustíveis
30-09-2026

Entidade elenca prioridades para 2027-2030, defende a expansão do regime monofásico do ICMS para o etanol hidratado e fortalecimento da ANP nos primeiros 100 dias do novo governo

Com faturamento anual de R$ 881 bilhões e peso decisivo na arrecadação pública, o setor de distribuição de combustíveis e lubrificantes apresentou propostas aos pré-candidatos à Presidência da República, com foco em medidas prioritárias para o mandato de 2027 a 2030. 

O Sindicom, entidade de âmbito nacional representativa do setor de distribuição de combustíveis e lubrificantes, com associadas responsáveis por 60% do mercado de combustíveis líquidos e 75% de lubrificantes do país, elaborou uma agenda estratégica com seis eixos prioritários de atuação e medidas de execução imediata para os primeiros 100 dias da próxima gestão federal. O documento já foi apresentado aos principais candidatos à Presidência da República e às suas respectivas equipes, como forma de contribuir para o debate sobre as prioridades e os desafios do setor de combustíveis no próximo governo. 

Entre os principais gargalos apontados no documento está o impacto do mercado irregular. Segundo estimativas da entidade, a atuação de agentes ilegais e a concorrência desleal resultam em perdas operacionais, sonegação e prejuízos fiscais que chegam a R$ 61 bilhões por ano ao país, dentre os quais, estão a perda de arrecadação tributária e fraudes operacionais. 

Para conter brechas fiscais e reduzir a sonegação, o Sindicom defende a preservação e a expansão da tributação monofásica do ICMS, com atenção especial à inclusão do etanol hidratado. No modelo, o imposto é recolhido uma única vez na origem da cadeia, com alíquota fixa por litro, o que simplifica a fiscalização e reduz vulnerabilidades ao longo da comercialização. Atualmente, o sistema já se aplica à gasolina, ao diesel e ao GLP. 

Por ainda operar sob o regime plurifásico, com incidência tributária em diferentes etapas da cadeia, o biocombustível está mais sujeito a assimetrias que podem favorecer devedores contumazes e fraudes fiscais. A medida integra o eixo de neutralidade fiscal e segurança jurídica da agenda do Sindicom, com foco no fortalecimento da isonomia concorrencial e de uma arrecadação mais justa. 

“A simplificação e a isonomia tributária são pilares indispensáveis para estancar a evasão e moralizar o mercado. O abastecimento do país depende de uma cadeia complexa, que envolve infraestrutura, logística, regulação, tributação e fiscalização. É importante que esses temas estejam presentes no debate sobre o futuro do Brasil. Estamos levando aos candidatos uma agenda construída a partir dos principais desafios enfrentados pelo setor e que têm impacto direto sobre a economia e a segurança energética brasileira”, afirma Augusto Salomon, presidente-executivo do Sindicom.

Metas para os primeiros 100 dias 

O plano propõe que os primeiros 100 dias do próximo governo sejam dedicados a medidas estruturantes para fortalecer o mercado de combustíveis, ampliar a segurança jurídica e concorrencial e garantir o abastecimento nacional. A agenda reúne ações de curto prazo capazes de enfrentar problemas já identificados e criar bases para o desenvolvimento sustentável do setor. Para isso, o setor estabelece seis eixos prioritários que orientam as principais medidas a serem adotadas no período:

Fortalecimento institucional da ANP: recomposição do orçamento e do quadro técnico da Agência, garantindo sua autonomia e capacidade de fiscalização, com uso intensivo de tecnologia e inteligência de dados;

  1. Combate estrutural ao mercado irregular: integração permanente entre os órgãos de controle — como Receita Federal, ANP, Polícia Federal e Ministérios Públicos — e regulamentação definitiva do devedor contumaz, atacando a viabilidade financeira do crime organizado;
  2. Neutralidade fiscal e segurança jurídica: preservação e expansão do regime monofásico do ICMS, especialmente para o etanol hidratado, aliadas à eliminação de brechas tributárias e ao fortalecimento da isonomia concorrencial;
  3. Política para infraestrutura e logística: estímulo a investimentos privados em dutos, terminais e ferrovias, com racionalização dos licenciamentos e formulação de um plano integrado que reduza a excessiva dependência do modal rodoviário;
  4. Modernização do marco regulatório: estabelecimento de regras claras e estáveis, que acompanhem a dinâmica tecnológica e proporcionem segurança jurídica indispensável à atração de investimentos intensivos e de longo prazo;

6. Transição energética pragmática: avanço da descarbonização com neutralidade tecnológica, preservando o abastecimento e aprimorando instrumentos como o RenovaBio, para que o Brasil consolide sua liderança global em combustíveis renováveis.