Síndrome da Murcha da Cana-de-Açúcar preocupa o setor e pode causar perdas de até 60%
04-03-2026
Doenças e estresse hídrico agravam incidência da SMC, comprometendo produtividade e qualidade industrial; pesquisas da Unesp buscam soluções para diagnóstico precoce
Doença ameaça lavouras e impacta o setor sucroenergético
A Síndrome da Murcha da Cana-de-Açúcar (SMC) tem se tornado um dos principais desafios fitossanitários do setor sucroenergético brasileiro. O problema está ligado ao aumento expressivo de colmos secos e apodrecidos, especialmente em lavouras próximas à colheita, podendo atingir incidências de até 60% em determinadas áreas.
De acordo com o pesquisador Laudecir Lemos Raiol Júnior, do CEPENFITO, os impactos são significativos:
“Em experimentos de campo, registramos reduções de produtividade de até 40%. Em áreas comerciais, há relatos de perdas que chegam a 60%”, explica o especialista.
Essas estimativas são baseadas em levantamentos que consideram o número de colmos secos ou murchos por metro linear, permitindo avaliar diretamente o impacto da doença na produção.
Efeitos também atingem a indústria e elevam custos
Além dos danos no campo, a SMC também traz prejuízos à indústria. Colmos afetados, mesmo em estágios iniciais, apresentam altas cargas de microrganismos indesejáveis, como leveduras e bactérias, que reduzem a qualidade do caldo e dificultam o processo de fermentação.
Esses fatores provocam aumento da acidez, menor eficiência fermentativa e maior consumo de insumos industriais, elevando os custos de controle de contaminação.
Sintomas visíveis e causas associadas
Os sintomas variam conforme a variedade de cana, local de cultivo e manejo, mas há características recorrentes, como descoloração da casca, perda da camada de cera e, internamente, colmos com coloração “marrom glacê” e odor azedo, típico de fermentação.
A doença tende a se manifestar com mais intensidade no final do ciclo de maturação, quando o déficit hídrico aumenta e as plantas entram em senescência, tornando-se mais vulneráveis a patógenos.
Entre os principais fatores associados à síndrome estão:
- Temperaturas elevadas;
- Ataque de pragas;
- Ocorrência de outras doenças;
- Alto grau de maturação dos colmos.
Apesar de ser mais comum em estágios avançados, a SMC também pode ocorrer em plantas jovens, dependendo das condições ambientais e do nível de estresse fisiológico.
Estratégias de controle e manejo no campo
Para reduzir as perdas causadas pela doença, os especialistas recomendam:
- Treinamento das equipes para identificar sintomas precocemente;
- Monitoramento contínuo das áreas afetadas;
- Antecipação da colheita, sempre que possível, para evitar o agravamento do apodrecimento dos colmos.
Essas medidas contribuem para minimizar os prejuízos agrícolas e industriais, mantendo a qualidade da matéria-prima processada.
Pesquisa da Unesp busca soluções e ferramentas de detecção precoce
O CEPENFITO, vinculado à Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias (FCAV) da Unesp, tem se destacado nas pesquisas voltadas à identificação das causas e fatores de risco da SMC. O centro atua na análise das condições ambientais e de manejo que favorecem a doença e ampliam sua severidade no campo.
Segundo Raiol Júnior, novas frentes de pesquisa estão em andamento:
“Estamos avaliando ferramentas espectrais para detecção precoce de colmos doentes e conduzindo estudos sobre o comportamento de clones e variedades quanto à tolerância ou suscetibilidade à síndrome.”
Esses avanços buscam fortalecer o manejo preventivo e garantir maior sustentabilidade à produção canavieira no país.
Fonte: Portal do Agronegócio

