SMC sem murcha: a síndrome pode estar no seu canavial antes mesmo de dar sinais
16-09-2026
I Grande Encontro de Doenças de Cana e II Simpósio Nacional da Síndrome da Murcha da Cana será realizado no dia 29 de setembro, em Ribeirão Preto/SP, e reunirá especialistas para discutir diagnóstico, impactos e estratégias de manejo. Inscrições abertas
A ausência de um canavial tomado por colmos murchos não significa que a Síndrome da Murcha da Cana-de-Açúcar (SMC) não esteja presente na área. A manifestação da síndrome depende de uma combinação de fatores ambientais e agronômicos e pode aparecer com maior ou menor intensidade em determinadas condições de safra, comprometendo o peso dos colmos, a qualidade da matéria-prima, a rebrota e a longevidade do canavial antes mesmo de exibir seu sintoma mais característico: a murcha.
O alerta é do doutor em Ciências Agrárias, Gerente de Planejamento Agrícola na Denusa e consultor da ALLE Consultoria Agronômica, Antônio Carlos de Oliveira Júnior. No dia 29 de setembro, o engenheiro agrônomo será um dos palestrantes do I Grande Encontro de Doenças de Cana e II Simpósio Nacional da Síndrome da Murcha da Cana, com a palestra “Síndrome da murcha da cana-de-açúcar (SMC): diagnóstico, impactos e estratégias de manejo no campo”. O evento será realizado no Centro de Cana do Instituto Agronômico (IAC), em Ribeirão Preto/SP. As inscrições já estão abertas.
Para Oliveira Júnior, a SMC continua sendo um dos problemas fitossanitários mais preocupantes da canavicultura. Segundo ele, ao contrário do que muitos acreditam, sua importância não diminuiu nesta safra. O que pode ter mudado é a intensidade ou o momento em que os sintomas estão aparecendo.
“Condições de chuva, déficit hídrico, época de colheita, estágio de maturação, variedade e idade do canavial podem antecipar ou retardar os sintomas. Em uma safra com melhor distribuição de chuvas, por exemplo, a planta pode permanecer aparentemente sadia por mais tempo. Por isso, observar apenas a quantidade de plantas murchas pode levar a uma falsa impressão sobre a dimensão do problema”, afirma.
E é justamente no diagnóstico que está um dos principais pontos de atenção. A perda de vigor, o secamento das folhas e a morte prematura são sinais importantes, mas não suficientes. “É fundamental cortar e abrir os colmos, porque muitas vezes a planta ainda apresenta uma condição externa aparentemente normal, enquanto o processo de deterioração já está ocorrendo internamente”, explica.
Segundo o consultor, é possível encontrar escurecimento dos tecidos internos, comprometimento vascular, chochamento, redução do caldo e perda de peso nos colmos afetados. Em casos mais severos, pode haver odor de fermentação alcoólica, indicando que o colmo já entrou em processo de deterioração.
Também é recomendado evitar conclusões baseadas exclusivamente em análises laboratoriais. Oliveira Júnior explica que a SMC apresenta uma etiologia complexa, podendo envolver diferentes microrganismos, como Colletotrichum falcatum, Fusarium spp. e Phaeocytostroma sacchari. No entanto, alguns desses microrganismos podem estar presentes como oportunistas, colonizando uma planta que já se encontrava enfraquecida por déficit hídrico, pragas de solo ou limitações do ambiente de produção. “Por conta disso, o resultado laboratorial precisa ser interpretado juntamente com as observações agronômicas.”
Para reduzir os riscos de erro, o consultor recomenda um diagnóstico integrado, com avaliação de diversos fatores, como histórico do talhão, variedade, ambiente de produção, idade do canavial, época de colheita, regime hídrico, fertilidade, compactação, desenvolvimento das raízes e ocorrência de pragas de solo. “O ideal é comparar plantas sintomáticas e aparentemente sadias dentro do mesmo talhão, abrindo vários colmos para observar o padrão das alterações internas”, aconselha.
Durante o I Grande Encontro de Doenças da Cana e II Simpósio Nacional da Síndrome da Murcha da Cana, Oliveira Junior apresentará mais informações sobre os desafios do diagnóstico, os impactos da SMC e as estratégias que podem ser adotadas no campo para enfrentar o problema.

Serviço
I Grande Encontro de Doenças da Cana e II Simpósio Nacional da Síndrome da Murcha da Cana
Data: 29/09/2026
Local: Centro de Cana do IAC – Ribeirão Preto/SP
Mais informações: (16) 99181-3350 ou (16) 99701-2900
Assessoria de imprensa: leonardo@canaonline.com.br

