Sobretaxa dos EUA atinge 33% das exportações do agro brasileiro e exige reestruturação estratégica
29-07-2026

Gestão financeira, diversificação de mercados, adoção de tecnologia e inovação são alguns dos caminhos possíveis para produtores garantirem bons resultados

O agronegócio brasileiro enfrenta uma nova onda de turbulência pela pressão tarifária dupla. Desde 23 de julho, os EUA aplicam tarifas de 25% e 12,5% sobre produtos brasileiros, resultado de investigações distintas sobre práticas comerciais e trabalho forçado. Embora haja exceções, uma parcela substancial do setor segue sob pressão.

De acordo com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), 33% das exportações do agronegócio brasileiro sofrem simultaneamente ambas as tarifas (37,5% total). Enquanto outros 12,3% dos embarques estarão sujeitos exclusivamente ao novo adicional de 12,5%. A diferença entre as listas de exceções de cada investigação amplia o alcance: produtos como etanol, máquinas agrícolas, papel, arroz, uva e ovos permanecem sujeitos à tarifa, enquanto carnes bovinas e café obtiveram dispensa em ambas as investigações por questões de oferta doméstica nos EUA.

Diante desse cenário, o vice-presidente da unidade de negócios da Falconi especializada em Agronegócio e Indústria de Consumo, Andre Paranhos, defende que gestão disciplinada pode ser a diferença entre resistir e sucumbir, alertando que o setor enfrenta variáveis cada vez mais desafiadoras.

"Juros elevados, instabilidade geopolítica e restrições comerciais inesperadas, são ingredientes para uma crise e o setor agropecuário nacional precisa se adaptar rapidamente para manter sua competitividade. A diversificação, a inovação e a gestão eficiente se tornam ainda mais fundamentais para enfrentar os desafios impostos por esse novo contexto econômico global”, afirma Paranhos.

Para o especialista, cinco ações podem mitigar os impactos.

1. Gestão financeira eficiente: Revisar custos operacionais e estruturar um planejamento financeiro robusto emergem como ações prioritárias para manter a sustentabilidade. Quando juros disparam, a disciplina nos gastos e o investimento em produtividade operacional determinam quem se mantém competitivo e quem fica para trás.
2. Diversificação de mercados: Reduzir dependência dos EUA passa por expandir presença em destinos alternativos. Mercados asiáticos e do Oriente Médio oferecem oportunidades crescentes, especialmente para produtos com maior valor agregado. Essa movimentação dilui riscos de concentração em uma única região e abre portas mesmo quando barreiras comerciais surgem.
3. Adoção de tecnologia e inovação: Sistemas de produção modernos comprimem desperdícios e elevam rendimentos, ajudando a absorver custos mais altos sem comprometer margens.
4. Negociação de crédito e hedge financeiro: Cooperativas de crédito, CRAs e mecanismos de hedge cambial oferecem escudos contra volatilidade de juros e preços internacionais. Explorar essas fontes reduz a exposição aos movimentos bruscos que afetam cadeias de fornecimento e prazos de pagamento
5. Acompanhamento das políticas econômicas e comerciais: Acompanhar regulações e participar ativamente de entidades setoriais amplifica o poder de voz do agro em fóruns nacionais e internacionais. Essa mobilização fortalece a defesa de políticas que favoreçam o setor e antecipa mudanças que podem impactar operações.

Com as tarifas já em vigor, as negociações bilaterais ganham urgência. Paranhos reforça que cada ponto percentual de abertura nas listas de exceções representa centenas de milhões de dólares em exportações. “O agro brasileiro já demonstrou capacidade de adaptação diante de adversidades. Agora, a prova será manter essa resiliência em um mercado global cada vez mais fragmentado por barreiras comerciais”, finaliza o executivo.