Top 15 da cana reduz concentração na safra 2025/26
22-05-2026
Ranking da FG/A mostra mudanças entre os maiores grupos do Centro-Sul
Andréia Vital
Mesmo diante de um clima mais seco durante a formação e o desenvolvimento dos canaviais, o setor sucroenergético manteve elevado volume de processamento na safra 2025/26. A moagem de cana-de-açúcar no Centro-Sul alcançou 611 milhões de toneladas, com retração estimada de apenas 1,7% em relação ao ciclo anterior, sustentada principalmente pela ampliação da área de corte.
O cenário reforçou a resiliência operacional das usinas em uma temporada marcada por pressão sobre a produtividade agrícola. Mesmo com redução no rendimento médio dos canaviais, os maiores grupos do setor mantiveram volumes expressivos de moagem e movimentaram o ranking elaborado pela FG/A, consultoria especializada no setor sucroenergético.
A Raízen permaneceu na liderança nacional, com moagem estimada em 70,3 milhões de toneladas de cana-de-açúcar na safra 2025/26. Em seguida aparecem Atvos, com 27 milhões de toneladas, BP Bioenergy, com 22 milhões, e São Martinho, com 21,7 milhões de toneladas. A Tereos completa o grupo das cinco maiores, com 17,9 milhões de toneladas processadas.

Também figuram entre os maiores grupos Lincoln Junqueira, com 17,1 milhões de toneladas, Cofco, com 16,7 milhões, Coruripe, com 14,4 milhões, Pedra, com 13 milhões, e Adecoagro, com 12,9 milhões de toneladas. Fecham o ranking Zilor, Santa Terezinha, Moreno, Delta e Vale do Verdão.
Fusões e aquisições alteram participação
A safra 2025/26 registrou leve desconcentração da moagem entre os maiores grupos sucroenergéticos do Centro-Sul. Os dez maiores passaram a representar 38% da moagem total da região, contra 40% na safra anterior. Já os cinco maiores responderam por 26% do volume processado, ante 27% em 2024/25.
O movimento ocorreu em meio à continuidade de fusões, aquisições e reestruturações no setor. A Raízen concentrou quatro das seis transações registradas no período, com desinvestimentos nas usinas de Leme, Rio Brilhante e Passa Tempo, além da desativação da Usina Santa Elisa. O impacto foi direto na moagem da companhia, que recuou 10,2% na comparação anual.
Entre as aquisições, a Zilor incorporou a Usina Salto Botelho, enquanto a família Graciano, antiga controladora da Santa Isabel, adquiriu a Usina Diana. O movimento ajudou a reconfigurar o ranking dos maiores grupos do país.
Zilor lidera crescimento da moagem
A Zilor apresentou a maior expansão proporcional entre os 15 maiores grupos do setor, com avanço de 20,1% na moagem em relação à safra 2024/25. Na sequência aparecem Santa Terezinha, com crescimento de 12,8%, e Moreno, com alta de 10%, grupo que passou a integrar o ranking dos maiores na 13ª posição.
Atvos também registrou crescimento acima da média do Centro-Sul, com avanço de 4,7%, enquanto Adecoagro teve alta de 0,9%. Em contrapartida, BP Bioenergy apresentou retração de 17,6%, a maior entre os principais grupos do setor. Tereos recuou 12,6%, Coruripe caiu 9,4% e Vale do Verdão registrou queda de 7,3%.
São Martinho manteve estabilidade operacional, com leve recuo de 0,5%, enquanto Delta caiu 0,9%. Pedra, Cofco e Lincoln Junqueira também encerraram a safra com retrações superiores à média regional.

Clima seguirá no radar da safra 2026/27
Para a próxima temporada, o setor acompanha a evolução das condições climáticas e a recuperação da produtividade agrícola dos canaviais. A expectativa é que o desempenho climático volte a ser determinante para sustentar volumes elevados de moagem no Centro-Sul na safra 2026/27.
A trajetória recente mostra ainda mudança gradual na concentração do setor. Em 2021/22, os dez maiores grupos chegaram a responder por 42% da moagem total do Centro-Sul. Na safra 2025/26, essa participação caiu para 38%, enquanto os cinco maiores reduziram participação de 30% para 26% no mesmo período.


