Último levantamento de cana da Conab será divulgado em abril de 2026
22-01-2026

Calendário define datas da safra 2025/26 e do novo ciclo agrícola

Por Andréia Vital

A Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB) apresentou o calendário de levantamentos agrícolas de 2026, que organiza ao longo do ano os principais marcos de acompanhamento das lavouras no país. A agenda funciona como referência para produtores, cooperativas, usinas e agentes de mercado, ao concentrar as datas de monitoramento da cana de açúcar e das principais safras de grãos.

No segmento canavieiro, o último levantamento da safra 2025/26 está previsto para 16 de abril de 2026, quando serão consolidados os dados finais do ciclo. Em seguida, a estatal inicia o acompanhamento da safra 2026/27, com o primeiro levantamento marcado para 28 de abril. As atualizações seguintes ocorrerão em 20 de agosto, período estratégico para avaliação do desenvolvimento dos canaviais, e em 22 de dezembro, quando será divulgado um quadro mais consistente da safra em andamento.

Para as culturas de grãos, a Conab mantém o modelo de acompanhamento mensal. O primeiro relatório de 2026 foi apresentado em 15 de janeiro, com o quarto levantamento da safra 2025/26. A sequência de relatórios segue até setembro, quando será conhecido o balanço final do ciclo, enquanto o primeiro levantamento da safra 2026/27 está programado para outubro.

No documento de janeiro, a estatal apontou manutenção da perspectiva de novos recordes para a produção brasileira de grãos. A estimativa indica crescimento de 0,3% na produção e expansão de 2,6% na área cultivada em relação à safra anterior. O volume das 16 principais culturas é projetado em 353,1 milhões de toneladas, em uma área de 83,9 milhões de hectares, acima do registrado no ciclo 2024/25.

A região Centro-Sul concentra 84,2% da produção nacional estimada, com 297,3 milhões de toneladas, enquanto Norte e Nordeste respondem por 15,8%, com 55,8 milhões de toneladas. O Centro-Oeste segue como principal polo produtor, com 174,5 milhões de toneladas, o equivalente a quase metade do total nacional.

A soja mantém a liderança entre as culturas, com produção estimada em 176,1 milhões de toneladas, avanço de 2,7% na comparação anual, sustentado pela ampliação da área plantada, que alcança 48,7 milhões de hectares. A produtividade permanece praticamente estável, apesar de restrições climáticas pontuais em áreas do Centro Oeste e do desempenho mais favorável esperado no Rio Grande do Sul.

O milho registra crescimento de área, somadas as três safras, para cerca de 22,7 milhões de hectares. Ainda assim, a produção total é estimada em 138,9 milhões de toneladas, retração de 1,5%, refletindo adversidades climáticas na Região Sul e limitações hídricas no início do ciclo em Minas Gerais.

O sorgo segue em trajetória de expansão, com aumento de 11,3% na área plantada e de 9,2% na produção, que deve atingir aproximadamente 6,7 milhões de toneladas, concentradas sobretudo na segunda safra. O girassol também avança, impulsionado pela demanda por óleo vegetal e biodiesel, com produção estimada em 101,9 mil toneladas. A mamona se destaca pelo crescimento expressivo de área, produção e produtividade, favorecida pelas condições climáticas na Bahia e pela demanda do setor de biocombustíveis.

Entre as demais culturas, o algodão deve registrar redução de área, com produção de pluma estimada em 3,8 milhões de toneladas. O arroz apresenta retração tanto de área quanto de produção, enquanto o feijão indica leve recuo no volume total, considerando as três safras. Amendoim e gergelim mostram estabilidade, e as culturas de inverno encerraram o ciclo anterior com resultados positivos, especialmente o trigo, cuja produção somou 7,9 milhões de toneladas.

No mercado, a Conab projeta exportações de grãos em 41,5 milhões de toneladas, acima da estimativa anterior, sustentadas pela ampla oferta interna e pela maior demanda internacional. O consumo doméstico também tende a crescer, impulsionado principalmente pelo avanço do uso do milho na produção de etanol.