Usina Caeté investe em gotejamento para ampliar área irrigada e otimizar uso da água
03-11-2026

Para a agroindústria canavieira do Nordeste, a irrigação é estratégica para elevar a produtividade e a qualidade da matéria-prima. Durante o Tour da CanaOnline na Usina Caeté, em São Miguel dos Campos (AL), o superintendente Mauro Sérgio Matias afirmou que o manejo adequado passa pela manutenção de cerca de 70% do canavial em perímetro irrigado.

A Caeté utiliza três sistemas. A aspersão convencional atende principalmente áreas com águas residuárias, qualidade de água mais comprometida ou projetos distantes. O pivô linear é empregado em terrenos planos e com geometria favorável, permitindo ampliar a cobertura e reduzir espaços sem irrigação. Já o gotejamento concentra os novos investimentos da companhia.

Hoje, aproximadamente 50% do perímetro é irrigado. Para alcançar a meta, será necessário avançar mais 20%, o equivalente a 6 mil a 7 mil hectares, prioritariamente com gotejamento. A escolha considera a escassez hídrica da região, marcada por riachos de baixa vazão e ausência de reservatórios ou rios abundantes.

Os projetos são estruturados com lâmina diária de 2 milímetros, correspondente a 50% da demanda hídrica. Segundo Matias, o manejo eficiente permite obter resultados expressivos: uma área em terceiro corte registra cerca de 140 toneladas de cana e 18 toneladas de ATR por hectare. A lâmina reduzida também diminui em aproximadamente 30% o custo de implantação, devido à adequação da estrutura hidráulica.

A empresa também avalia o uso de poços artesianos, que podem reduzir custos de captação, e realiza experimentos com lâmina de 1 milímetro. A proposta é direcionar esse manejo às áreas colhidas no início da moagem, quando a necessidade de água é menor, além de preparar a operação para eventuais vazões abaixo do previsto. Testes de nutrição e estratégias de mitigação já integram os estudos para a expansão futura.

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