Usina da Mata investe R$ 60 mihões em irrigação inteligente
23-03-2026
Tecnologia eleva eficiência e reduz custos operacionais
Andréia Vital
A Usina da Mata apresentou avanços em irrigação e agricultura digital durante o 27º Seminário de Mecanização e Produção de Cana-de-Açúcar do Grupo IDEA, realizado nesta quarta-feira (18) e quinta-feira (19), em Ribeirão Preto - SP, com foco na integração entre automação, telemetria e gestão operacional. Segundo José Carlos Contiero, gerente de produção agrícola na companhia, a adoção de tecnologia AGTECH ocorre em um contexto de pressão climática crescente e necessidade de maior eficiência no Centro-Sul.
“A gente saiu de uma média histórica de déficit hídrico de cerca de 486 milímetros para quase 700 milímetros nos últimos sete anos. Isso representa um aumento de 43%”, afirmou. Segundo o gerente, o cenário tem impacto direto na produtividade e exige decisões estruturais. “Não dá para esperar o clima voltar ao que era antes. Precisamos agir”. Contiero acrescentou que o avanço do déficit também elevou a frequência de semanas secas e intensificou o estresse no período crítico da safra, entre agosto e novembro. “Com esse aumento do déficit hídrico, irrigar deixou de ser alternativa. É condição para sustentar a produtividade”, ressaltou.
Antecipando a demanda diante do cenário climático, a companhia estruturou, em 2024, um plano diretor com investimento de aproximadamente R$ 60 milhões para ampliar a irrigação via aspersão. A operação passou de 7 para 21 frentes, incluindo 9 frentes de fertirrigação, com avanço relevante da automação. A digitalização da operação permitiu elevar o controle e reduzir falhas. “Nós tínhamos problemas invisíveis, como sobreposição, falhas e lâminas incorretas. Existia uma diferença grande entre o planejado e o realizado”, disse.
Atualmente, 63% dos comandos da irrigação são realizados remotamente, o que representa cerca de 23.184 acionamentos feitos pela equipe de fertirrigação. A tecnologia permite planejar a aplicação por talhão, com definição de metas de cobertura, controle de sobreposição e monitoramento em tempo real da execução. Segundo ele, o uso de plataformas digitais reduz a dependência de mão de obra e melhora a execução no campo. “Quem não mede o que está sendo feito vai se surpreender quando começa a avaliar. Muitas vezes a aplicação não está correta”.
Os ganhos operacionais chegam a 32% de eficiência, com redução de equipes e maior padronização da operação. O modelo permite que um único operador conduza múltiplos equipamentos, com suporte de telemetria e controle remoto. O projeto de automação da fertirrigação apresentou retorno acelerado. Segundo Contiero, o investimento de cerca de R$ 3 milhões teve payback de quatro meses, com previsão de ganhos acumulados de R$ 52,7 milhões em cinco anos.
Os indicadores de motomecanização reforçam a relevância da gestão operacional. O custo do sistema de colheita pode atingir R$ 48,3 por tonelada, considerando corte, transbordo e transporte. O consumo médio de diesel é de 0,91 litro por tonelada, enquanto o rendimento operacional das máquinas alcança cerca de 504,5 toneladas por dia. A análise operacional mostra que apenas 42% do tempo das máquinas é efetivamente produtivo, enquanto 36% são horas perdidas, associadas a fatores como espera, troca de turno e gargalos logísticos. Nesse contexto, o aumento da eficiência operacional se torna determinante para reduzir custos e elevar a produtividade.
Na safra 2025/26, a usina moeu cerca de 4,5 milhões de toneladas. Para 2026/27, a expectativa é atingir 5,4 milhões de toneladas em uma área de 70 mil hectares, com suporte da irrigação. “Hoje a irrigação deixou de ser apenas uma operação. Ela faz parte de uma estratégia integrada de gestão, conectando planejamento, execução e validação em tempo real”, afirmou Contiero.
Confira:

