Usina Jacarezinho processa 2,88 milhões de toneladas na safra 2025/26
09-02-2026
Moagem cresce 35%, produtividade agrícola avança e investimentos sustentam desempenho mesmo sob adversidades climáticas
Por Andréia Vital
A Usina Jacarezinho encerrou a safra 2025/26 com moagem de 2,88 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, resultado 35% superior ao registrado no ciclo anterior, quando foram processadas 2,14 milhões de toneladas. O desempenho foi alcançado em um ambiente desafiador, marcado por geadas, incêndios e um prolongado período de estiagem, que afetaram o desenvolvimento dos canaviais ao longo do ano.
Além do aumento no volume processado, a safra apresentou avanço nos principais indicadores agrícolas. A produtividade média atingiu 94,11 toneladas de cana por hectare, enquanto o Açúcar Total Recuperável por hectare chegou a 12,58 toneladas, reforçando a trajetória de evolução produtiva da unidade e a maior estabilidade dos canaviais frente a condições climáticas adversas.
Segundo o diretor de Operações Sucroenergéticas da usina, Ricardo Zanata, os resultados refletem um trabalho técnico consistente construído ao longo das últimas safras. “Os números são consequência de um processo contínuo de aprimoramento do manejo agrícola, com foco em correção e preparo profundo do solo, controle de tráfego, planejamento varietal e uso crescente de insumos biológicos e orgânicos. Esse conjunto de práticas aumentou a resiliência dos canaviais mesmo em um cenário climático desfavorável”, afirma.
Na safra 2025/26, o mix produtivo ficou distribuído entre 60% destinados à produção de açúcar e 40% à produção de etanol. Do volume de açúcar, cerca de 41% corresponderam ao tipo branco e 59% ao açúcar bruto. No etanol, houve predominância do hidratado, que respondeu por aproximadamente 70% da produção, enquanto o anidro representou os demais 30%, garantindo flexibilidade industrial ao longo do ciclo.
Outro avanço registrado foi na produção de leveduras, que somou 3,48 mil toneladas ao final da safra, volume cerca de 24% acima do inicialmente projetado. A produção envolve levedura inativa, autolisada e parede celular, consolidando o produto como uma frente adicional de atuação e ampliando o portfólio da usina. Para a safra 2026/27, a meta é alcançar 3,57 mil toneladas.
Na área de bioenergia, a geração de eletricidade a partir do bagaço da cana também se destacou. A Maringá Energia deverá encerrar a safra 2025/26 com geração de 120,3 mil MWh, superando a previsão inicial. Para o próximo ciclo, com a ampliação do projeto Maringá Energia II, a expectativa é mais que dobrar a produção, alcançando 206,5 mil MWh, elevando a relevância da bioenergia no conjunto das operações do grupo.
A safra também marcou a consolidação da biofábrica da companhia, que produziu mais de 67 mil litros de insumos biológicos, entre bionematicidas, biofungicidas, biopromotores de crescimento e biossolubilizadores. Esses produtos vêm sendo integrados às práticas de manejo agrícola, contribuindo para a proteção do sistema radicular, maior vigor das plantas e aumento da tolerância a estresses climáticos.
Já a fábrica de fertilizantes líquidos, inaugurada no ciclo anterior, operou de forma plena na safra 2025/26. A estrutura garantiu a produção interna de todo o fertilizante utilizado na aplicação de vinhaça localizada. O projeto recebeu investimento de R$ 3,3 milhões e permitiu o desenvolvimento de novas formulações, com ganhos de eficiência operacional e qualidade agronômica.
Ao longo da safra 2025/26, os investimentos realizados pela Usina Jacarezinho totalizaram R$ 34,2 milhões, com aportes direcionados às áreas agrícola e industrial. Os recursos reforçaram a base produtiva, sustentaram o avanço operacional e prepararam a unidade para os próximos ciclos.
Para a safra 2026/27, a companhia projeta novos investimentos da ordem de R$ 10,5 milhões, voltados ao reforço da capacidade de colheita, à estrutura industrial e à ampliação da geração de energia. Segundo o CFO do Grupo Maringá, Eduardo Lambiasi, a expectativa é manter o patamar operacional. “A projeção para a próxima safra é de moagem em torno de 2,9 milhões de toneladas. Para isso, estão previstos investimentos superiores a R$ 10 milhões no aprimoramento da colheita, na estrutura industrial e na ampliação do projeto Maringá Energia, fase II”, afirma.
Além dos investimentos produtivos, a usina avança em estudos para a implantação de sistemas de monitoramento de incêndios com uso de inteligência artificial e no reforço da estrutura de resposta rápida, ampliando a preparação para eventos climáticos extremos.

