Usina Santa Adélia pretende superar 10 mil hectares com irrigação deficitária
15-09-2026
Cássio Paggiaro, diretor agrícola da Usina Santa Adélia, detalhou à CanaOnline a estratégia de irrigação adotada na unidade de Pereira Barreto (SP)
Durante o 7º Seminário de Irrigação em Cana-de-Açúcar (Irrigacana), realizado em 9 e 10 de setembro, em Ribeirão Preto, Cássio Paggiaro, diretor agrícola da Usina Santa Adélia, detalhou à CanaOnline a estratégia de irrigação adotada na unidade de Pereira Barreto, no interior paulista.
A região enfrenta forte deficiência hídrica no outono e no inverno, apesar da proximidade dos rios Tietê, Paraná e São José dos Dourados. Segundo o executivo, a instabilidade climática provoca grandes oscilações de produtividade e dificulta o planejamento da companhia. Como exemplo, a unidade registrou 98 toneladas de cana por hectare em 2023 e 62 toneladas por hectare em 2024.
O plano prevê irrigar cerca de dois terços dos canaviais. Um terço será atendido pela chamada irrigação de salvamento, já implementada, e outro pela irrigação deficitária, que busca cobrir quase todo o déficit hídrico da cultura. Atualmente, cerca de 4 mil hectares recebem irrigação deficitária, e a meta é ultrapassar 10 mil hectares.
A usina utiliza carretéis de aspersão — conhecidos como “rolões” — no salvamento, além de gotejamento e pivô central. Os resultados variam conforme o sistema: o salvamento acrescenta de 5 a 10 toneladas por hectare em relação às áreas não irrigadas, enquanto gotejamento e pivô central podem gerar ganho de pelo menos 40 toneladas por hectare.
Além de elevar a produtividade, a irrigação permite aproveitar melhor as terras próximas à unidade, reduzir a distância média de transporte e economizar combustível. O principal benefício, porém, é dar maior garantia e previsibilidade à safra.
No longo prazo, a Santa Adélia pretende alcançar entre 12 mil e 15 mil hectares com irrigação de salvamento e igual área com irrigação deficitária. Paggiaro ressaltou que o investimento precisa ser contínuo, sem depender apenas dos anos de seca. Estudos climáticos históricos indicam que, mesmo em safras com volume anual satisfatório de chuva, a região registra déficits elevados em fases críticas da cana, assegurando resposta à irrigação.

