Zilor e BTG Pactual Asset criam FIDC para fornecedores de cana
25-06-2021

Com três usinas sucroalcooleiras em São Paulo, o grupo Zilor, principal associado da Copersucar, criou, com o BTG Pactual Asset, um Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC) para financiar custeio e investimento dos fornecedores de cana com os quais tem contratos de longo prazo.

Inicialmente, o FIDC recebeu uma injeção de R$ 120 milhões, dos quais R$ 80 milhões foram aportados pelo BTG e R$ 40 milhões pela Zilor. O fundo substitui uma parte do programa que a própria Zilor mantém de apoio a fornecedores no acesso a crédito, com concessão de empréstimos diretos (mútuos) ou garantias (aval).

Segundo o CEO do grupo, Fabiano Zillo, o lançamento do fundo responde a uma lacuna existente no mercado de crédito rural, que não oferece linhas acessíveis e adequadas ao perfil do agricultor de grande porte que cultiva cana e trabalha com prazos mais longos de maturação e retorno da cultura, se comparadas a lavouras temporárias como soja e milho.

"Nossos parceiros são de médio a grande portes, logo a acessibilidade não estava tão fácil. E vimos que o crédito rural foi ficando mais parecido com o de mercado", disse Marcos Arruda, diretor financeiro da Zilor, ainda antes do lançamento do novo Plano Safra 2021/22, que terá taxas de juros mais altas.

Mas, segundo o executivo, o principal diferencial são os prazos. Para financiar operações de custeio, os produtores têm prazo médio de 3,5 anos, com taxas equivalentes ao CDI mais 3% a 4%. Para operações de plantio, o prazo médio é de 4,5 a 5,5 anos, com custo equivalente ao CDI mais 6% a 8%. Para acessar os recursos do FIDC, o produtor passa por uma análise de crédito particular, que definirá seus custos.

A criação do fundo, que substitui parte de seu programa de apoio direto aos fornecedores, também responde a uma necessidade da Zilor de "fugir da oscilação de crédito" e "equilibrar" mais seu balanço - já que, para conceder mútuos, a empresa tem que recorrer a captações no mercado, afirmou Arruda.

Os R$ 120 milhões do FIDC são suficientes para atender todos os grandes fornecedores com os quais a Zilor tem contratos de longo prazo, cobrindo entre 65% e 70% de suas necessidades. Os demais produtores já não costumavam acessar o programa de apoio da empresa e continuam captando recursos por conta própria, de acordo com o diretor financeiro.

A iniciativa também é uma espécie de "teste" da Zilor das alternativas à disposição para apoiar os produtores. "Neste primeiro momento, não queremos eliminar todos os mútuos e avais. Adotamos um modelo inicial e depois avaliaremos se vamos expandir ou complementar com outros instrumentos de mercado", afirmou o CEO.

Paralelamente ao FIDC, a Zilor também iniciou com os fornecedores um sistema de fixação antecipada de preços de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) que serão posteriormente transformado em açúcar. Cada produtor pode fixar até 80% do volume de cana a ser entregue, com base em seu histórico de produtividade, nos preços dos contratos futuros de açúcar e na projeção de "mix" da usina.

A primeira leva de operações foi feita em novembro do ano passado, referente às entregas de cana dos fornecedores projetadas para a safra atual, e contou com adesão de 82% dos produtores, ou 23% do total equivalente em açúcar a ser entregue por eles. O diretor financeiro da Zilor disse que o procedimento deve, inclusive, fortalecer o acesso do produtor aos recursos do FIDC, mas ressaltou que a adesão à fixação não é obrigatória para acessar o fundo.

Fonte: Valor Econômico
Texto extraído do boletim SCA